"Braid" e a importância de um roteiro nada menos que SENSACIONAL

 




Isso realmente deveria ser simples. Jogos são como filmes, seguem um roteiro pra passar emoções através de uma plataforma, se a gente tem que ficar sentado e assistir ou se tem que interagir são coisas básicas pra se considerar, mas porque diabos alguns desenvolvedores ignoram os roteiros ninguém sabe. Ultimamente, encontrar um bom jogo com um bom roteiro tem ficado cada vez mais difícil, ou se não difícil, muito caro. Mas é a vida. O que a gente traz hoje é talvez uma prova de que os desenvolvedores tem o que é necessário pra se fazerem vistos, com designs incríveis e uma jogabilidade bem fluida, e TAMBÉM o que é necessário pra serem lembrados, com histórias instigantes e quebra-cabeças tocantes pra quem realmente aprecia uma boa jornada do herói.

"Braids" e a importância de um roteiro nada menos que SENSACIONAL

Jogabilidade

Braid segue o modelo de um jogo de plataforma comum, com escadas, chaves, portas e pequenas armadilhas mas com um porém, o protagonista, Tim, pode voltar no tempo para impedir a própria morte e seguir com itens durante as várias fases dentro dos mundos disponíveis em sua jornada. Até aí tudo bem tranquilo.

Os controles seguem o modelo tradicional de movimento pelas setas direcionais e ocasionais controles com o teclado na versão para PC, nos Video Games dentre os quais Braids é disponibilizado podem haver pequenas alterações feitas para se adequar à plataforma mas sempre bem explicadas pra atender à necessidade dos jogadores.

"Braids" e a importância de um roteiro nada menos que SENSACIONAL

Efeitos Sonoros

Com um trabalho bem construído e delineado, os efeitos sonoros de Braids são um dos pontos complementares mais altos da produção, seguindo a mudança das trilhas a cada fase dentro de cada mundo, o que já é um trabalho notável, a sonoplastia traz uma identidade a cada "monstro" e a cada espaço, além de seguir a linearidade da história, respeitando os momentos de -viagem no tempo- onde as trilhas são revertidas  e sincronizadas perfeitamente com o seguimento dos acontecimentos.

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Visuais

É preferível tratar Braid como um depósito de visuais do que termos gráficos mais técnicos, porque o que a gente vê acompanhando o desenvolvimento da história é um orgasmo visual, com arte e design combinado em aquarela, a paleta de cores escolhida direciona os sentimentos e a atmosfera de todo o game, deixando-o mais sombrio e questionável onde é pra ser e mais claro e suscinto onde também é pra ser.

"Braids" e a importância de um roteiro nada menos que SENSACIONAL

E apesar de parecer redundante, é válido ressaltar a construção do game dessa forma, porque fica mais fácil de sacar as intensões por trás dessas definições artísticas, o que muito desenvolvedor por aí esquece na hora de lançar um jogo, e acabar por se perder no que é mais comum nas plataforma que a gente tem disponível hoje.

"Braids" e a importância de um roteiro nada menos que SENSACIONAL

Maravilhosamente bem trabalhado, Braid tem sido bem reconhecido pela riqueza de detalhes e versatilidade no seu design. Uma versão anterior à finalmente lançada pela steam tem um troféu de Design Inovador em Jogos pela Independent Game Festival em 2006.

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E enfim, história!

(E um pouco de conclusão, também.)

 Desde 2008 quando lançado oficialmente, Braid tem chamado muita atenção pelo trabalho intenso no desenvolvimento de história e o que é mais legal: a variedade de interpretações filosóficas do mesmo enredo, envolvendo de questionamentos sobre esquizofrenia, expectativas sobre relacionamentos abusivos e até divagações bem didáticas envolvendo o famoso "Projeto Manhattan", o qual é mais discutido após percebermos incluído próximo ao epílogo do jogo uma citação sobre a primeira bomba atômica por Kenneth BainBridge que dizia: "Agora todos nós somos filhos da puta", que fez o game como uma crítica pessoal à como os jogos contemporâneos tem se formado por aqui.

"Braids" e a importância de um roteiro nada menos que SENSACIONAL

Quando visto de forma simples, Braid conta a história de Tim, que procura a todo custo uma princesa, que fora capturada por um monstro por causa de um erro seu. Cada mundo, posteriormente trabalhado, traz lembranças de Tim, sobre a Manhattan a qual ele vivia, e lembranças sobre um possível futuro com essa princesa, do qual Tim alegava ter plena consciência por que eles tiveram uma relação tão forte que reflete no passado, o incentivando o suficiente para correr atrás dela apesar de tudo.

ALERTA DE SPOILER!!!

(Se não quiser ver, avance até a marcação do fim do alerta de spoiler!)

Seguindo durante o jogo, após ter passado por história o suficiente pra entender do que o jogo se trata, os detalhes que são apresentados pra a gente começam pouco a pouco a desmentir a imagem do protagonista, que fora montada através de partes do enredo que são entregues de acordo com o que passamos de fase, até aí tudo bem, bla blá blá tim procura a princesa e demonstra querer muito achar ela e tal, e chegamos na última fase do game, onde a gente vê pela primeira vez a princesa, e constata apesar de tudo que ela "existe", nessa fase, tudo exceto o protagonista se movimenta de modo reverso, vemos a princesa pedindo ajuda após ser capturada por um cavaleiro, mas como tudo acontece de trás para frente, vemos a formação da cena logo após. Chamas consomem o cenário enquanto o Tim acompanha a jornada da princesa rumo ao ponto de partida, mas quando ele chega a esse ponto de partida, ele se vê preso por algo que separa ele da princesa, o "encanto" sobre o tempo se desfaz e o cenário explode. Quando tudo volta, a princesa não está mais lá, e tudo que a gente viu antes volta e começam os "e se's". E se a princesa não tivesse sido "capturada" por aquele cavalheiro, e se ela não estivesse correndo dele, e se ela ainda assim tivesse fugindo do monstro, mas espera, será que era por isso que ela tava correndo, o monstro era... o Tim!

 "Braids" e a importância de um roteiro nada menos que SENSACIONAL

Mas quando você mais espera uma continuação, o jogo acaba! E isso não é uma coisa ruim. O epílogo do game traz uma sequência de textos adicionais que terminam de te fundamentar na história, tudo fica explicado (na medida do possível), deixando a interpretação desse final um pouco pra lá de confuso a você. E acredite, tem muuuuito o que interpretar, viu?

FIM DO ALERTA DE SPOILER!!!

Depois de tanta puxação de saco (com razão!) vale a pena ao menos conferir um pouco e ver se gosta do game, na Steam, "Braids" tá a venda por R$27,99, e pra quem, como a gente também se apaixonou, se apaixonar pela trilha sonora do jogo, ela também tá a venda na Steam, aqui, por R$11,99, disponibilizadas para Windows e IOS através da plataforma. 


Avaliação:

Efeitos Sonoros: 5.0 5.0
Jogabilidade: 5.0 5.0
História: 5.0 5.0
Grafico: 5.0 5.0
Avaliação geral: 5.0 5.0

Por: Matheus Pacheco em 15-Fev-2017




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